quinta-feira, 29 de março de 2012

Cartão de Vacinas

Muitas vezes não percebemos informações importantes contidas no Cartão de Vacinas, documento solicitado no ato de matrícula.
Ao mapear as turmas da escola, percebi que ali existem informações necessárias e importantes quando iniciamos um procedimento de avaliação e intervenção nas queixas escolares.
No cartão de vacinas você identifica prematuridade, baixo peso, idade avançada da mãe... Encontrei também uma observação em vários cartões referindo-se a um procedimento: credeização.
Esse detalhe me chamou a atenção e fui buscar informações. Pesquisando encontrei vários registros e quero compartilhar com você.
O motivo da credeização é prevenir uma doença sexualmente transmissível que pode levar à cegueira e até a óbito.  Leiam abaixo a transcrição:

Oftalmia Gonocócica do recém-nascido produz-se quando os olhos do bebé são contaminados ao longo da sua passagem pelo canal de parto, devido ao facto de os órgãos genitais da mãe se encontrarem infectados por gonococos. Esta infecção provoca uma conjuntivite que se manifesta entre algumas horas a um par de dias, após o nascimento, através de uma evidente vermelhidão da conjuntiva e por secreções mucopurulentas de cor amarelada ou esverdeada. Caso não seja devidamente tratada, a infecção torna-se mais profunda e estende-se às estruturas internas do olho, provocando alterações que podem originar a perda da visão. Visto que, na maioria das vezes, ambos os olhos são afetados, devido ao facto de a infecção se propagar facilmente entre os dois, a doença pode provocar uma cegueira total e definitiva.
De modo a prevenir esta sequela e rendo em conta que existem muitas mulheres portadoras de gonococos nos órgãos genitais que, como não apresentam sinais ou sintomas, não conhecem a sua condição, inúmeros Países realizam constantemente uma atuação preventiva em todos os recém-nascidos, baseada na instilação de gotas de nitrato de prata ou de antibióticos ativos contra o gonococo nos olhos do bebé pouco depois do nascimento. Esta medida, muito simples, proporcionou uma redução significativa e até a erradicação desta temível forma de infecção por gonococos, nos países onde é regularmente realizada. 


Portanto, se no Cartão de Vacinas consta a credeização é importante observar se algum comprometimento da visão não foi registrado.
Outra informação relevante é o registro do Apgar. Como recebemos alunos oriundos de outros Estados, muitos deles sem uma política de saúde para acompanhamento do desenvolvimento infantil, essa informação pode fornecer indícios de comprometimento neurológico.
 O que é o Apgar:  

Escala ou Índice de Apgar é um teste desenvolvido pela Dra. Virginia Apgar, médica norte-americana, que consiste na avaliação de 5 sinais objetivos do recém-nascido no primeiro, no quinto e no décimo minuto após o nascimento, atribuindo-se a cada um dos sinais uma pontuação de 0 a 2, sendo utilizado para avaliar as condições dos recém-nascidos. Os sinais avaliados são: freqüência cardíacarespiraçãotónus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele. O somatório da pontuação (no mínimo zero e no máximo dez) resultará no Índice de Apgar e o recém-nascido será classificado como sem asfixia (Apgar 8 a 10), com asfixia leve (Apgar 5 a 7),com asfixia moderada (Apgar 3 a 4) e com asfixia grave: Apgar 0 a 2.
No momento do nascimento, este índice é útil como parâmetro para avaliar as condições do recém-nascido e orientar nas medidas a serem tomadas quando necessárias. As notas obtidas nos primeiro e quinto minutos são registradas no “Cartão da Criança” e nos permitem identificar posteriormente as condições de nascimento desta criança (se ela nasceu sem asfixia ou com asfixia leve, moderada ou grave).



terça-feira, 27 de março de 2012

O trabalho em EQUIPE...

Toda equipe é um grupo, porém... nem  todo grupo é uma equipe. (Carlos Basso, sócio-diretor da Consultoria CR Basso)

Grupo é um conjunto de pessoas com objetivos comuns, em geral se reúnem por afinidades. No entanto esse grupo não é uma equipe. Pois, equipe é um conjunto de pessoas com objetivos comuns atuando no cumprimento de metas específicas.

É fácil definir o que é equipe, no entanto, percebo que na sociedade brasileira trabalhar em equipe é um grande desafio em todos os setores do desenvolvimento humano. É uma indagação constante as razões ou fatores determinantes desse desafio.
Seria reflexo da formação, da educação, da cultura?
Seria reflexo dos princípios econômicos, políticos e sociais que nos direcionam para o individualismo, a competitividade?
Quais seriam os motivos que justificam a dificuldade de um grupo ser uma equipe?
Trabalhar em equipe exige ritmo, tolerância, respeito, cumplicidade e companheirismo. Mas essencialmente, exige respeito.
Respeito ao ritmo do outro. Respeito à tolerância ou intolerância quando nos defrontamos com posturas ou iniciativas que se distanciam das nossas crenças. Respeito à cumplicidade estabelecida com o outro. Respeito às diferenças existentes nas ações, conceitos e habilidades específicas de cada sujeito envolvido no processo de construção coletiva.
Trabalhar em equipe exige respeito ao "outro", exige negociação, diálogo, compromisso e interatividade. Em equipe não basta democracia, é necessário também o consenso que nem sempre é alcançado apenas com a quantidade, quase sempre exige a qualidade de argumentos, posicionamento e contraponto. É trabalhoso mas  compensador, pois, em equipe você compartilha as responsabilidades tanto do sucesso quanto do fracasso. Enfim, você não está só.
Hoje, me senti acompanhada, motivada, amparada e produtiva. Hoje não fui EUquipe... Você conhece o motivo?
Minha psicóloga estava comigo! 
  


quinta-feira, 15 de março de 2012

A Coordenação Coletiva

Os encontros de coordenação coletiva quando valorizado, proporcionam ao grupo ou equipe, momentos de reflexão, troca e redirecionamento da prática pedagógica.
Esse é o espaço disponível para aflorar as discussões sobre as concepções de ensino, aprendizagem, desenvolvimento, planejamento, avaliação, currículo, diversidade e outros eixos que permeiam o cotidiano escolar.
Tenho buscado espaço para participar ativamente das coordenações coletivas. Percebo que a equipe gestora se reúne com as coordenadoras da escola para planejar o momento da coordenação, no entanto, até o momento, a coordenação coletiva tem sido um espaço para planejamento de aspectos gerais e administrativos.
A coordenação coletiva... um espaço de reflexão, de formação e avaliação.
Grande desafio!

Aliás, o que não está faltando é desafio. A semana passa voando... Amanhã já é sexta...
O saldo dessa semana:
Consegui mapear 16 turmas. Verifiquei as pastas de todos os alunos.
Acolhimento com quatro professoras para colher informações sobre a percepção da professora com relação à turma.
Participei da coordenação coletiva, solicitando um espaço para conversar com o grupo sobre como proceder para o encaminhamento do aluno (solicitação de Apoio ao processo ensino-aprendizagem).
Participei de 8 oficinas em parceria com o SOE.
Tive o prazer de contar com a presença da minha companheira de equipe na terça.
Foi uma semana produtiva...

No entanto, estou meio perdida com relação aos alunos que estão em processo de avaliação.
Tenho me perguntado como conseguiremos proceder se minha companheira psicóloga só está na escola uma vez por semana. O processo exige etapas nas quais é imprescindível a participação da psicologia.
Me pergunto: "Minha psicóloga" quando estiver na escola estará envolvida só com os procedimentos de avaliação?... Como será possível desenvolver as ações de intervenção?... Gente, ela precisa virar duas!!!

Percebo que preciso me organizar e fazer um contrato ou acordo pedagógico com a minha companheira. Precisamos estabelecer um roteiro ou um mapeamento das ações a serem desenvolvidas no contexto da escola respeitando a demanda que a colega tem nas outras duas escolas.

Não posso desconsiderar esse contexto.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O Começo...

O dia-a-dia no contexto da escola, me apresentou inicialmente a preocupação de por onde começar...
Comecei limpando e organizando o armário... Na organização do armário, encontrei documentos que estavam ali esperando uma análise para que a demanda da escola fosse percebida. 
Distribuí meu tempo inicialmente, após a arrumação, em dois momentos: análise e planejamento.
Gente, sem planejamento, nada flui...
Conforme analisava um dossiê, buscava a identificação do aluno, a turma e professora em 2012. Outros, identificava sua saída da escola. Nesse meio tempo, participei de reuniões e encontros pedagógicos com o grupo da instituição. Espaço e tempo utilizados para a organização pedagógica da escola e detalhamento do Projeto Político Pedagógico - PPP, que tem como tema: Histórias e mais Histórias. Experiência enriquecedora.
Nos momentos de discussão e construção do PPP, iniciei a coleta de informações para o Mapeamento Institucional.
Tudo indo bem, mas percebo que a proposta da Orientação Pedagógica do Serviço Especializado está distante da realidade escolar no momento. Minha companheira de EEAA, a psicóloga, não teve oportunidade de perceber nem 1/5 do que percebi nesses primeiros dias.
ESTOU NO MEIO DE UMA "REVERBERAÇÃO"...
"Amanhã... Será um lindo dia" 
O  amanhã já ficou no passado... O tempo passa voando...
Estou em um contexto escolar que favorece o trabalho: equipe gestora, professores, auxiliares e serviços de apoio  comprometidos com a proposta de trabalho. No entanto os desafios existem.
O primeiro deles é compartilhar o mesmo espaço, sala minúscula, com o SOE e a SR. Por mais próximos que sejam as ações, cada segmento tem a sua demanda e especificidade.
Inicialmente tudo resolvido com diálogo e o estabelecimento de metas. A principal é trabalhar em parceria, buscando o respeito ao tempo e ao espaço do outro. Estabelecemos:
  •  um nome para a sala: Equipe Multidisciplinar;
  • a organização do ambiente;
  • o compromisso de trocar e buscar informações em conjunto;
  • a organização da agenda respeitando a necessidade de assegurar o uso da sala aos três segmentos que ali trabalham;
  • o critério de estabelecer um canal de comunicação, dialogando e esclarecendo as questões que possam gerar conflitos. 
Costumava brincar dizendo que essa escola era um pirulito. De forma figurada, é um pirulito enorme. Vai levar tempo para conseguir chupá-lo.
  

quinta-feira, 8 de março de 2012

Tudo na Vida tem um começo...

Em 2012 começo uma nova experiência, trabalhar como pedagoga de uma Equipe Especializada de Apoio à Aprendizagem numa escola de educação infantil.
Vislumbro grandes desafios e muito estudo pela frente.
Pretendo, conforme disponibilidade do tempo, registrar essa experiência passo-a-passo.
Hoje, relato aqui, os primeiros passos, as primeiras impressões, as primeiras dúvidas, enfim, meus primeiros dias de pedagoga na EEAA.
Vamos lá...
Ao chegar na escola, me senti estranhamente desconcertada. Já havia trabalhado na escola e ao retornar, fui acolhida como se nunca havia saído dali; não fui apresentada ao grupo. Nesse momento, o "acolhida" não convem, o mais adequado seria "recebida", mas também não convem. Apenas entrei na sala dos professores e me sentei.
No intervalo, durante o café, procurei me aproximar das pessoas que já conhecia e assim, puxei conversa sem conseguir estabelecer um diálogo qualitativo.
Essa estranhesa durou alguns dias, mas continuei insistindo.
Trabalhar num ambiente onde já houve uma convivência tem seus aspectos positivos. Devagar, com muito cuidado, observação e discrição, fui buscando os momentos apropriados para buscar possibilidades de interação com o grupo.
Foi primordial o estabelecimento de diálogo. Com persistência e monitoramento, fui buscando oportunidades de interação. Com as colegas professoras, ainda tenho muito a conquistar, mas percebo que já consegui estabelecer um canal de comunicação e articulação com a Orientadora Educacional. Estamos construindo uma parceria de trabalho...