quarta-feira, 27 de março de 2013

Elo dos Pais com a Escola...

"Antes mesmo de acharmos um culpado,temos sim que promover esse elo dos pais com a escola. Aí cabe a pergunta:qual a melhor maneira de fazê-lo de forma prazerosa e voluntária?" ( comentário)

Pensei inicialmente em responder ao comentário, mas, esse trecho me inquietou...

Somos todos culpados, portanto, não existe UM culpado pela situação existente no contexto escolar com relação as transferências de responsabilidades impostas à escola. Transferência que a sociedade globalizada nos impõe. É recorrente assistir aos noticiários locais e nacionais, a fala: - É preciso desenvolver um projeto para que a escola promova essa educação.
Acontece um acidente no trânsito... educação do trânsito deve ser inserida no currículo escolar!  Aumentam o número de jovens usuários de drogas... A prevenção ao uso de drogas deve ser inserida no currículo escolar! Existe homofobia... O currículo escolar precisa ser revisto, pois o combate a todo tipo de discriminação e o respeito as diferenças deve compor os eixos norteadores do projeto pedagógico. E assim vai... Em nenhum momento me oponho a importância destes e outros aspectos relevantes no contexto social, mas, percebo que a escola fica como um ioiô. Quase que mensalmente, as orientações curriculares recebem novas perspectivas. Faz parte das mudanças e transformações necessárias ao cumprimento do seu papel ou função social.
O que trás indignação é saber que tudo e todos apontam alternativas cotidianamente e como retorno, professores e demais trabalhadores continuam desempenhando seu papel em condições mínimas de trabalho. Me lembrei agora que para termos um filtro com água na sala dos professores, foi necessário   "vaquinha", para tomar café, precisamos contribuir mensalmente...
Fato é que, culpados somos todos nós e o ELO entre escola e família, está lá todos os dias: Nosso aluno!
Outro dia conversando com representantes de uma família na escola, ouvi a seguinte expressão: - "O problema é que   tudo está mudado e a escola continua esperando que a família mude. As famílias já mudaram e a escola continua a mesma." Não cabe aqui a valoração dessa mudança familiar, mas é fato. A mudança já aconteceu... Pai, Mãe, Família... Nós continuamos esperando que as famílias sejam participativas, responsáveis e principalmente uma referência para a educação das nossas crianças.
SOCORRO! Precisamos acordar!!! Onde está o ELO? Esperando que a escola e a família se resolvam e cada um assuma aquilo que lhe compete? Onde está o ELO? Esperando, esperando, esperando... Até quando?
Até percebermos que nosso ofício conta apenas com uma ferramenta de trabalho: O ELO!
O que fazer com esse ELO? Vou pensar...

quinta-feira, 14 de março de 2013

Relação professor e família


A primeira professora, a primeira escola... A pré-escola, o primário, o ginásio...Parte da história de vida do ser humano está vinculada a essas lembranças. Como era bom ir à escola, até as frustrações deixaram saudades. Um tempo de aprendizado, de convivência, de imaginação e de esperança. As crianças ouviam o que a professora falava. Quando a caderneta chegava com anotação, a coisa ficava feia. Ficar sem fazer o dever de casa, nem pensar.
Recordações inseridas num contexto social diferente do contexto que temos hoje. As recordações trazem à memória a presença da família acompanhando, ensinando e formando valores; família muitas vezes analfabetas no mundo acadêmico mas pós graduadas na universidade da vida. Especializadas na importância do respeito, da religiosidade e do amor fraternal. Errando e acertando, os pais se faziam presentes e tinham no professor, alguém em quem confiavam a educação escolar dos seus filhos. Naquele tempo, a escola tinha como função social, a formação acadêmica. A formação dos valores básicos da vida em sociedade: respeito, religiosidade, responsabilidade e outros, era competência da família.
Com o passar do tempo, a sociedade usufruindo dos recursos científicos e tecnológicos, do poder proporcionado e explorado pelo capital, da expansão das possibilidades comunicativas proporcionadas pelo mundo paralelo chamado mundo virtual, a humanidade distanciou-se da sua essência: viver em sociedade. Humanidade aqui referenciando a característica marcante do ser humano, sua sociabilidade. Essa mesma sociedade que a cada época distancia-se mais e mais dessa essência humana, mantem uma instituição com a função social de socializar seus membros, a chamada ESCOLA.
A sociedade muda em detrimento dos conhecimentos constituídos pelas ciências; das relações políticas e econômicas estabelecidas na busca da manutenção do poder; das perspectivas sociais que reestruturam a instituição FAMÍLIA, impondo conceitos imperativos denominados politicamente corretos. E a ESCOLA?
A ESCOLA continua lá, cumprindo seu papel social.
Prédios com estruturas arcaicas, filas, agendas, avaliações classificatórias, livros, giz ou pincel, cadernos, borracha ou borrões, alunos, professores... Sim, finalmente chegamos aí, PROFESSORES! Seres em extinção, que se relacionam com uma instituição social também em extinção: a FAMÍLIA.
Pensadores da educação pontuam que a sociedade atual exige PROFESSORES com competências desenvolvidas para acolher, cuidar, formar, constituir e preparar os indivíduos para a convivência social, para a produtividade e de forma subliminar para o consumismo. Nomeia-se essa função social como: A formação para a cidadania autônoma e crítica. 
Na contramão encontramos os órgãos reguladores da educação acadêmica que legislam com o foco nos programas e projetos financeiros, estatísticos e de projeção política. Enquanto legislam, as duas instituições FAMÍLIA e ESCOLA, tornam-se reféns da ausência de compromisso com o desenvolvimento humano que é a essência dessa humanidade cidadã, autônoma e crítica.
Parada!
Professores de um lado, família do outro... Diversidade de crenças, valores e expectativas... Onde encontrar o consenso?
No respeito mútuo e na co-responsabilidade pelos seres humanos em formação que não podem ser subjugados no jogo de queda de braços para imputar a culpa em alguém, pela falência da escola enquanto instituição humana.
O viés dessa queda de braços é globalizante. A cada dia nos traz desesperança na capacidade de mudança e transformação social que é urgente.
Até onde vai essa convergência de culpabilização do outro, quando a culpa é de todos nós?